
A história da Inês poderia ter sido como a de tantas outras crianças mas quis o destino que a Inês tivesse uma história diferente, uma história de luta e
sobrevivência,que se torna-se numa guerreira a partir do momento em que veio ao mundo.
A minha gravidez correu lindamente, apesar de ter estado de repouso a partir das 27 semanas devido a dilatação do colo do útero, mas sempre esteve tudo bem com a Inês nunca houve nada de preocupante com ela
propriamente, era uma bebe grande ás 30 semanas já pesava 2700kg e ás 34 tive ordem para começar a fazer umas caminhadas.
Ás 36 semanas dirijo-me ao hospital para a consulta habitual com a minha médica,exames tudo normal, deito-me na marquesa para dizer um olá á princesa e eis que a Drª A me diz que á algo que não está bem, existe uma mancha na
cabeçinha da Inês que não estava lá e que parece preocupante,claro que o meu coração dispara e rezo para ser só um susto, vou para o
ctg enquanto a medica trata da papelada para fazer ressonância no dia seguinte,mas isso não chegou a acontecer pois quando ela volta o
ctg acusava algum sofrimento fetal e a Inês teria que nascer logo.
Eu que tanto desejei um parto normal ia enfrentar agora uma cesariana e ainda por cima sem saber
propriamente o estado da minha filha, mas estava tranquila,queria estar bem para acompanhar tudo o que se ia passar, não queria deixar escapar um só momento.
Eram 23h do dia 19 de Novembro de 2008 quando a Inês veio ao mundo com alguma dificuldade
respiratória,com índice de
apgar 5, foi ventilada e levada para a
UCIN. Só a vi no dia seguinte, era linda,
gorducha tinha nascido com 3530kg com apenas 36 semanas, acho que se ficasse até ao fim vinha já a pedalar
lol, foi aí que soubemos da gravidade da situação, achavam que o mais provável era a Inês não sobreviver, senti o chão fujir-me dos pés , foi como se me tivessem trespaçado uma lança no coração, não dá nem para explicar o que senti naquele momento, não queria sequer acreditar que aquilo me estava a acontecer, desejei que fosse um pesadelo e que logo logo acorde-se e ficava tudo bem... mas infelizmente não era.
Nesse mesmo dia a Inês foi transferida para o Hospital de S João uma vez que no São Sebastião não têm serviço de
neurocirurgia, e uma vez que a Inês mostrou que tinha muita força, decidiram fazer cirurgia para aliviar a pressão causada pela hemorragia, era uma cirurgia de alto risco, mas correu bem, colocaram dreno e ao fim de uma semana retiraram. Daí a uns dias saiu dos cuidados intensivos, estávamos próximos do natal e a vontade de a trazer embora era muito grande,dizia sempre que no natal a Inês estaria em casa e as enfermeiras diziam me sempre para não me iludir porque depois ia custar mais, deviam achar que era doida, mas eu dizia sempre que tinha a certeza que a minha filha vinha passar o natal a casa, e veio. dia 17 de Dezembro era a data prevista para o nascimento, nesse mesmo dia a Inês ia fazer um
tac, disse em casa que aquele dia ia ser um renascer,sentia isso,algo me dizia que depois desse
tac viríamos para casa, e assim foi, nesse mesmo dia teve alta e no dia seguinte pude finalmente trazer a minha filha para a sua ,a nossa, casa, senti um misto de emoções que nem dá para explicar, muita felicidade mas ao mesmo tempo um medo que se apoderou de mim, afinal de contas agora tínhamos uma vida nova pela frente,muitas perguntas pairavam na minha cabeça procurando respostas sem as obter, as duvidas perante o cenário que nos pintaram eram muitas, mas felizmente, o futuro revelou-se bem mais colorido que o quadro que nos deram. O tempo foi passando e as vitórias não tardaram a surgir, é a alegria cá da casa, o ai jesus da família, um doce de menina e uma lutadora como sempre acreditei que fosse. Aprendemos a viver um dia de cada vez , vivemos o presente e tentamos esquecer o passado, o futuro como sempre é sempre uma incógnita. Apesar de todas as incertezas que pairam no ar uma coisa é certa, é muito feliz a minha filha e eu amo-a mais que tudo na vida e não posso sequer imaginar a minha vida sem ela, é o meu mundo, a minha razão de viver...